Wednesday, July 29, 2009

Sonhos e objectivos


Sonhos e objectivos parecem ser uma e a mesma coisa. Mas hoje, depois de um workshop de coaching, fiquei com a sensação que não é bem assim.
Um dos exercícios da sessão consistia em traçarmos em linhas gerais e transformarmos em verbos de acção as coisas que devemos e queremos fazer em coisas que vamos fazer. Ou seja definirmos os objectivos a atingir, exemplos mais imediatos de coisas que queremos fazer mas deixamos andar, por preguiça ou pelas barreiras no caminho. Os exemplos que me ocorreram, não deixando de responder e servir a questão e o fim do exercício, e do próprio conceito de coaching, são efectivamente objectivos a concretizar mas não são sonhos. À medida que outros participantes revelavam em voz alta os seus exemplos, apercebi-me que muitos deles coincidiam com sonhos meus que não tinham cabido no imediatismo da lista escrita num sopro de acção.
É certo que os meus sonhos vão mudando e isso não ajuda à clareza de estabelecer parâmetros, metas, em suma, objectivos a atingir. Também é verdade que muitas vezes se abandonam os sonhos a meio para se concretizarem os objectivos entretanto traçados.
Cumpre-se a aquisição de uma casa, que antes se sonhara e que depois se converte em objectivo atingido. Entretanto esse objectivo passa a ser o ponto de partida para o caminho de outro a alcançar = o pagamento da prestação mensal. Na perseguição deste objectivo somos obrigados a deixar alguns sonhos para trás...Para se manter o outro, que já não o é. Vamos traçando outros objectivos para tentar chegar aos sonhos pendentes, aspirando converter estes, por sua vez, em novos objectivos.
A verdade é que há sonhos que implicam o abdicar de outros sonhos, para se transformarem nessas metas mais palpáveis. Talvez por isso sejam sonhos e seja importante deixá-los assim, tê-los sem objectivar. Ou haverá coaching para isso?

Tuesday, July 14, 2009

This Immortal Coin - mais uma compilação aparentemente jeitosa


Tem data de lançamento prevista para 12 de Outubro deste ano. Tal como o projecto que homenageia, This Mortal Coin, que sob a batuta da editora 4AD reuniu outrora diversos talentos e elementos conhecidos de bandas da década de 1980 (pertencentes ao catálogo daquela), "This Immortal Coin" faz o mesmo, mas oferecendo-se como um tributo ao antigo projecto e com uma outra geração de artistas.
Elizabeth Fraser, dos Cocteau Twins, Lisa Gerrard, dos Dead Can Dance, Howard Devoto dos Buzzcocks e Magazine, e até Kim Deal (Pixies, Breeders) cedem agora lugar a nomes como Yaël Naim, Bonnie Prince Billy, Yann Tiersen e Matt Elliott, Nightwood ou Oktopus, a quem ficou entregue a mistura de This Immortal Coin. Algumas das composições/versões já podem ser ouvidas aqui.

Fica o alinhamento:

1. The Dark Age Of Love - Yaël Naim, Chapelier Fou, David Donatien,Hannes d'Hoine, Roël Van Camp, Christine Ott
2. Red Queen - Yann Tiersen, Matt Elliott
3. Ostia - Bonnie Prince Billy, DAAU, Christine Ott
4. Chaostrophy - DAAU ,Christine Ott
5. Love Secret Domain - Yann Tiersen, Matt Elliott
6. Tattoed Man - Yaël Naim
7. Teenage Lightning - Matt Elliott
8. Amber Rain - Sylvain Chauveau, Han Stubbe, Roël Van Camp, Nicolas Jorio
9. Cardinal Points - DAAU, Christine Ott
10. Blood From The Air- DAAU, Christine Ott, Deadverse, Nightwood
11. Outro LSD - Yann Tiersen, Matt Elliott

Monday, July 6, 2009

Simplesmente lindo!

É simplesmente lindo, delicioso, mágico o novo disco de Rodrigo Leão, 'Mãe' - obrigada André e Francisca.
Pelo mesmo motivo que levou Leão a baptizar o seu disco desta maneira, dedico à minha mãe o vídeo de uma das músicas que o compõem.

Vida Tão Estranha

Thursday, June 18, 2009

As matriarcas

Viver num bairro de Lisboa é assitir ao perdurar de hábitos ancestrais e, aparentemente, rurais como por exemplo o acto de dar sentenças às novas gerações com o estatuto de ancião do clã.
No café que 'serve' a minha zona do bairro - na fronteira da freguesia - há três velhotas que ditam as regras da convivência social bairrista.
Uma destaca-se claramente como a chefe do conselho tribal. Veste de preto, marca dos anos passados pelas rugas e das mágoas acumuladas na voz rouca e rabugenta, e levanta-se da mesa para ir dar ordens à miúda nova do café ensinando-a como deve servir e em que ordem deve servir os clientes. Ela, obviamente, não é a dona do café mas é a chefe do clã.
Olha, então, para mim e diz, olhando para a moça e sorridente: «está cá há pouco tempo», como que justificando a atitude metediça e autoritária. Não há como não ficar comovida.
Pouco depois levanta-se novamente, desta vez para recusar o pedido de desculpas do maluco que ocasionalmente nos assedia com um: «olhe, desculpe, não me paga um cafezinho?». Percebo pela conversa que o maluco terá ofendido a chefe do clã recentemente. Desconheço, no entanto, o teor da ofensa. Mais uma vez ela apressa-se a justificar que a rispidez com que o despacha mais não é do que a atitude pedagógica de o impedir de voltar a repetir a graça. O que ela não conta são as vezes que ela e as restantes conselheiras gozaram, com um veneno bem jovial de fazer corar a crueldade adolescente, o dito maluco, numa altura em que este ainda parecia cair nas boas graças do matriarcado.
Que terão dito elas da minha saia?

Tuesday, May 26, 2009

Pequenos prazeres!

Não há nada melhor para a paz de espírito do que cansar o corpo e a cabeça e terminar o dia com uns copos de cerveja, um pires de caracóis e outro de moelas, em Alfama, com o sol a pôr-se, o Tejo ali ao lado e um amigo para trocar uns dedos de conversa.

Estes momentos fazem-me sempre lembrar esta música (na versão do Percy Sledge):

Friday, May 22, 2009

Eu...

Não sou só isto. Sou muito mais que isto. Mas isto sou de certeza:



Haja dinheiro e lá estarei outra vez, nem que seja só um fim-de-semana.

Thursday, May 7, 2009

Não, não vivo no Bronx, mas podia.

A cena a que assisti hoje - com o 'privilégio' de esta ter acontecido debaixo da minha janela - foi digna de um filme policial norte-americano.

Quatro adolescentes, do tipo mitra (adeptos do gamanso barato e do tunning), fugiam de carro à polícia quando perderam o controlo do veículo ao descerem a minha rua.Pouco faltava para as 15h. O resultado foi um despiste que partiu três carros estacionados no passeio e que acabou escassos metros abaixo destes, com a imobilização do veículo dos fugitivos, completamente destruído na frente e a derramar óleo por todo o lado. Mas isto não acaba aqui. Todos os ocupantes - palavra que rima com meliantes - abandonaram o carro e fugiram a pé. Três foram detidos, mas um continua (sempre quis dizer/escrever isto) a monte.
Com esta emociante cena de filme - eu, fã confessa de tudo quanto é série criminal, ou melhor de tudo quanto é série - percebi como ainda há espírito de bairro em muitas zonas de Lisboa. A revolta generalizada, e natural, sobretudo pelo facto do jovem que foi apanhado ainda vir arrogar a sua condição de menor, deu lugar ao apelo desesperado de um dos meus vizinhos. Vira-se para o polícia, antes deste meter o meliante no carro, e diz: «Deixe-me só dar-lhe um estalo!». Posto isto, acho que apesar de tudo me sinto segura na rua onde moro.