Viver num bairro de Lisboa é assitir ao perdurar de hábitos ancestrais e, aparentemente, rurais como por exemplo o acto de dar sentenças às novas gerações com o estatuto de ancião do clã.
No café que 'serve' a minha zona do bairro - na fronteira da freguesia - há três velhotas que ditam as regras da convivência social bairrista.
Uma destaca-se claramente como a chefe do conselho tribal. Veste de preto, marca dos anos passados pelas rugas e das mágoas acumuladas na voz rouca e rabugenta, e levanta-se da mesa para ir dar ordens à miúda nova do café ensinando-a como deve servir e em que ordem deve servir os clientes. Ela, obviamente, não é a dona do café mas é a chefe do clã.
Olha, então, para mim e diz, olhando para a moça e sorridente: «está cá há pouco tempo», como que justificando a atitude metediça e autoritária. Não há como não ficar comovida.
Pouco depois levanta-se novamente, desta vez para recusar o pedido de desculpas do maluco que ocasionalmente nos assedia com um: «olhe, desculpe, não me paga um cafezinho?». Percebo pela conversa que o maluco terá ofendido a chefe do clã recentemente. Desconheço, no entanto, o teor da ofensa. Mais uma vez ela apressa-se a justificar que a rispidez com que o despacha mais não é do que a atitude pedagógica de o impedir de voltar a repetir a graça. O que ela não conta são as vezes que ela e as restantes conselheiras gozaram, com um veneno bem jovial de fazer corar a crueldade adolescente, o dito maluco, numa altura em que este ainda parecia cair nas boas graças do matriarcado.
Que terão dito elas da minha saia?
Thursday, June 18, 2009
Tuesday, May 26, 2009
Pequenos prazeres!
Não há nada melhor para a paz de espírito do que cansar o corpo e a cabeça e terminar o dia com uns copos de cerveja, um pires de caracóis e outro de moelas, em Alfama, com o sol a pôr-se, o Tejo ali ao lado e um amigo para trocar uns dedos de conversa.
Estes momentos fazem-me sempre lembrar esta música (na versão do Percy Sledge):
Estes momentos fazem-me sempre lembrar esta música (na versão do Percy Sledge):
Friday, May 22, 2009
Eu...
Thursday, May 7, 2009
Não, não vivo no Bronx, mas podia.
A cena a que assisti hoje - com o 'privilégio' de esta ter acontecido debaixo da minha janela - foi digna de um filme policial norte-americano.
Quatro adolescentes, do tipo mitra (adeptos do gamanso barato e do tunning), fugiam de carro à polícia quando perderam o controlo do veículo ao descerem a minha rua.Pouco faltava para as 15h. O resultado foi um despiste que partiu três carros estacionados no passeio e que acabou escassos metros abaixo destes, com a imobilização do veículo dos fugitivos, completamente destruído na frente e a derramar óleo por todo o lado. Mas isto não acaba aqui. Todos os ocupantes - palavra que rima com meliantes - abandonaram o carro e fugiram a pé. Três foram detidos, mas um continua (sempre quis dizer/escrever isto) a monte.
Com esta emociante cena de filme - eu, fã confessa de tudo quanto é série criminal, ou melhor de tudo quanto é série - percebi como ainda há espírito de bairro em muitas zonas de Lisboa. A revolta generalizada, e natural, sobretudo pelo facto do jovem que foi apanhado ainda vir arrogar a sua condição de menor, deu lugar ao apelo desesperado de um dos meus vizinhos. Vira-se para o polícia, antes deste meter o meliante no carro, e diz: «Deixe-me só dar-lhe um estalo!». Posto isto, acho que apesar de tudo me sinto segura na rua onde moro.
Quatro adolescentes, do tipo mitra (adeptos do gamanso barato e do tunning), fugiam de carro à polícia quando perderam o controlo do veículo ao descerem a minha rua.Pouco faltava para as 15h. O resultado foi um despiste que partiu três carros estacionados no passeio e que acabou escassos metros abaixo destes, com a imobilização do veículo dos fugitivos, completamente destruído na frente e a derramar óleo por todo o lado. Mas isto não acaba aqui. Todos os ocupantes - palavra que rima com meliantes - abandonaram o carro e fugiram a pé. Três foram detidos, mas um continua (sempre quis dizer/escrever isto) a monte.
Com esta emociante cena de filme - eu, fã confessa de tudo quanto é série criminal, ou melhor de tudo quanto é série - percebi como ainda há espírito de bairro em muitas zonas de Lisboa. A revolta generalizada, e natural, sobretudo pelo facto do jovem que foi apanhado ainda vir arrogar a sua condição de menor, deu lugar ao apelo desesperado de um dos meus vizinhos. Vira-se para o polícia, antes deste meter o meliante no carro, e diz: «Deixe-me só dar-lhe um estalo!». Posto isto, acho que apesar de tudo me sinto segura na rua onde moro.
Sunday, May 3, 2009
Tá-se bem...
Já conhecia um pouco da Strada para trás. Agora chegou o disco.
Há dias usei uma expressão de uma música deles, que em muito chocou a minha amiga margem-sulense, Inês: «tá-se bem do lado do cu do Cristo Rei».
E ultimamente tenho mesmo muito boas razões para subscrever por inteiro a expressão. Não leves a mal, Inês :)
Contra mim, contra ti, contra lá...aqui fica, Oxalá Te Veja - O'Questrada:
Há dias usei uma expressão de uma música deles, que em muito chocou a minha amiga margem-sulense, Inês: «tá-se bem do lado do cu do Cristo Rei».
E ultimamente tenho mesmo muito boas razões para subscrever por inteiro a expressão. Não leves a mal, Inês :)
Contra mim, contra ti, contra lá...aqui fica, Oxalá Te Veja - O'Questrada:
E se tivesse sido um sapato?
Neste cantinho da Europa cheio de "grandes virtudes" e moralismos de nobreza decadente faz-se um grande circo porque um senhor candidato às Europeias, ex-comunista agora PS, decide, logo este ano, ir fazer campanha para a manif do 1º de Maio com uma delegação do PS e acaba por ser insultado e agredido com umas gotas de água. Os agressores serão militantes comunistas, porque, segundo o PS, só os comunistas têm razão para o fazer em relação ao governo (!??!!), e sobretudo pela condição de ex-comunista de Vital Moreira.
Bom, o Miguel Portas também é ex-comunista e estava lá como dirigente do BE - e também ele apelidou a atitude de Vital de provocação. Não houve notícia de agressão contra o M. Portas.
É fácil perceber quem ganha efectivamente com isto, desviando o que é importante para um episódio que nem é tão grave assim - ganhem juízo e olhem lá para fora, porque muita calma tem o povo português nesta democracia de fachada. Se lhe tivessem atirado um sapato se calhar achavam mais piada.
Enumeremos e comparemos, então, alguns episódios esquecidos pelo sr. Engenheiro quando tudo lhe serve para dar uma de virgem ofendida.
No caso da agressão a Vital Moreira, o sistema, em virtude de ser democrático, contempla um sistema judicial ao qual este pode e deverá recorrer para resolver a situação. Identificar e apresentar queixa dos agressores - não sei que pena calhará àqueles que se ficaram pelo 'mentiroso', às tantas até vão alegar que estes têm direito a dizê-lo, em democracia. Será?
Recordo-me é de um episódio em que a polícia a mando do Ministério da Administração Interna, mandou revistar as instalações de um sindicato para saber a identidade de um grupo de profs que protestava numa visita qualquer de Sócrates. Certamente muito democrático. Aliás, protestavam contra este? Ou deverei dizer ofendiam-no? É que por estes dias tudo o que seja crítica a este senhor passa a ser uma ofensa. É, segundo li há tempos, salvo erro, na Visão, o recordista de processos contra jornalistas por dá cá aquela palha, já para não falar em toda a onda de suspeitas em torno das condições de investigação do Freeport.
De modo que, e se em vez da água tivesse sido algo mais cosmopolita e global como um sapato? Talvez dissessem que era a " festa da democracia".
Bom, o Miguel Portas também é ex-comunista e estava lá como dirigente do BE - e também ele apelidou a atitude de Vital de provocação. Não houve notícia de agressão contra o M. Portas.
É fácil perceber quem ganha efectivamente com isto, desviando o que é importante para um episódio que nem é tão grave assim - ganhem juízo e olhem lá para fora, porque muita calma tem o povo português nesta democracia de fachada. Se lhe tivessem atirado um sapato se calhar achavam mais piada.
Enumeremos e comparemos, então, alguns episódios esquecidos pelo sr. Engenheiro quando tudo lhe serve para dar uma de virgem ofendida.
No caso da agressão a Vital Moreira, o sistema, em virtude de ser democrático, contempla um sistema judicial ao qual este pode e deverá recorrer para resolver a situação. Identificar e apresentar queixa dos agressores - não sei que pena calhará àqueles que se ficaram pelo 'mentiroso', às tantas até vão alegar que estes têm direito a dizê-lo, em democracia. Será?
Recordo-me é de um episódio em que a polícia a mando do Ministério da Administração Interna, mandou revistar as instalações de um sindicato para saber a identidade de um grupo de profs que protestava numa visita qualquer de Sócrates. Certamente muito democrático. Aliás, protestavam contra este? Ou deverei dizer ofendiam-no? É que por estes dias tudo o que seja crítica a este senhor passa a ser uma ofensa. É, segundo li há tempos, salvo erro, na Visão, o recordista de processos contra jornalistas por dá cá aquela palha, já para não falar em toda a onda de suspeitas em torno das condições de investigação do Freeport.
De modo que, e se em vez da água tivesse sido algo mais cosmopolita e global como um sapato? Talvez dissessem que era a " festa da democracia".
Sunday, April 5, 2009
Nas vésperas da Páscoa
O que não faltam é propostas.
Em Lisboa há pelo menos, umas quantas bem interessantes.
Musicbox, dia 9 - Biel Ballester Trio
Trio de cordas praticante de música de fusão e experimentação acústica, onde se cruzam elementos de variados géneros, com destaque para os elementos de flamenco.
Fizeram parte da banda-sonora de 'Vicky Cristina Barcelona', de Woody Allen.
Pelas 23h00, no Musicbox. Bilhetes:no local. Preço: 8€ com direito a 1 bebida de 2€.
Festival Novos Fados - do Projecto Marginal
Géneros e experiências musicais diferentes. Em comum o facto de serem músicos portugueses. Todos eles juntos - ainda que divididos de forma mais ou menos temática - no Santiago Alquimista, em Lisboa, de 9 a 11 de Abril para o festival Novos Fados. (confesso que tirando os If Lucy Fell, que até gosto embora não vá muito à bola com a voz do Makoto, saltava o dia 10. Mas os outros gozava bem. (In)Felizmente não estou em Lisboa)
Eis o programa:
Dia 9
Sala 1
- Feromona
- Oioai
- Doismileoito
Sala 2
- João e a Sombra
- Samuel Úria
Dia 10
Sala 1
- Murdering Tripping Blues
- Gnu
- If Lucy Fell
Sala 2
- Press Play
- Tsunamiz
Dia 11
Sala 1
- The Ratazanas
- Anonima Nuovolari
- Farra Fanfarra
Sala2
- Atma
- Anaidcram
Em Lisboa há pelo menos, umas quantas bem interessantes.
Musicbox, dia 9 - Biel Ballester Trio
Trio de cordas praticante de música de fusão e experimentação acústica, onde se cruzam elementos de variados géneros, com destaque para os elementos de flamenco.Fizeram parte da banda-sonora de 'Vicky Cristina Barcelona', de Woody Allen.
Pelas 23h00, no Musicbox. Bilhetes:no local. Preço: 8€ com direito a 1 bebida de 2€.
Festival Novos Fados - do Projecto Marginal
Géneros e experiências musicais diferentes. Em comum o facto de serem músicos portugueses. Todos eles juntos - ainda que divididos de forma mais ou menos temática - no Santiago Alquimista, em Lisboa, de 9 a 11 de Abril para o festival Novos Fados. (confesso que tirando os If Lucy Fell, que até gosto embora não vá muito à bola com a voz do Makoto, saltava o dia 10. Mas os outros gozava bem. (In)Felizmente não estou em Lisboa)Eis o programa:
Dia 9
Sala 1
- Feromona
- Oioai
- Doismileoito
Sala 2
- João e a Sombra
- Samuel Úria
Dia 10
Sala 1
- Murdering Tripping Blues
- Gnu
- If Lucy Fell
Sala 2
- Press Play
- Tsunamiz
Dia 11
Sala 1
- The Ratazanas
- Anonima Nuovolari
- Farra Fanfarra
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