Monday, February 1, 2010

Imelda Marcos segundo David Byrne



David Byrne prepara-se para lançar um disco conceptual sobre a vida de Imelda Marcos.

O registo, resultado de uma parceria com Fatboy Slim e com edição marcada para dia 23 deste mês, chama-se "Here Lies Love" e propõe-se contar, em 22 faixas repartidas por dois CDs, o percurso da ex-primeira dama das Filipinas.

Além do DJ, o antigo líder dos Talking Heads recrutou vários convidados especiais para dar voz aos temas do seu mais recente trabalho, destacando-se a forte presença feminina, nos contributos de Tori Amos, Cindy Lauper, St. Vincent, Martha Wainwright, Santigold, Roisín Murphy ou Sia.

Algumas das canções já podem ser ouvidas no site do músico, como são os casos da faixa título, interpretada por Florence and The Machine (outra das convidadas) e cuja letra recorre a citações da própria Imelda Marcos, ou de 'Please Don't', tema cantado por Santigold e disponível para download gratuito, na mesma página.

Em termos sonoros esta espécie de biografia musical pretende também transmitir o gosto da ex-primeira dama filipina pelas boîtes e discotecas, apresentando um ambiente clubbing transversal às canções.

Aqui fica o alinhamento de "Here Lies Love":

CD 1
1. HERE LIES LOVEVocal by Florence Welch (Florence + The Machine)
2. EVERY DROP OF RAINVocals by Candie Payne & St. Vincent
3. YOU’LL BE TAKEN CARE OF Vocal by Tori Amos
4. THE ROSE OF TACLOBANVocal by Martha Wainwright
5. HOW ARE YOU?Vocal by Nellie McKay
6. A PERFECT HANDVocal by Steve Earle
7. ELEVEN DAYSVocal by Cyndi Lauper
8. WHEN SHE PASSED BY Vocal by Allison Moorer
9. WALK LIKE A WOMANVocal by Charmaine Clamor
10. DON’T YOU AGREE? Vocal by Róisín Murphy
11. PRETTY FACE Vocal by Camille
12. LADIES IN BLUEVocal by Theresa Andersson

CD2
1. DANCING TOGETHERVocal by Sharon Jones
2. MEN WILL DO ANYTHING Vocal by Alice Russell
3. THE WHOLE MAN Vocal by Kate Pierson
4. NEVER SO BIGVocal by Sia
5. PLEASE DON’T Vocal by Santigold
6. AMERICAN TROGLODYTE Vocal by David Byrne
7. SOLANO AVENUE Vocal by Nicole Atkins
8. ORDER 1081 Vocal by Natalie Merchant
9. SEVEN YEARSVocals by David Byrne & Shara Worden (My Brightest Diamond)
10. WHY DON'T YOU LOVE ME?Vocals by Cyndi Lauper & Tori Amos

E um aperitivo:

Friday, January 15, 2010

O Xantarim fechou...E agora?

Dificilmente o encerramento de um bar em Santarém terá causado tanta tristeza como o do Xantarim. Não tanto por ser um dos mais antigos e pelo seu carisma arquitectónico - foram várias as 'faces' que já assumiu, conforme as suas gerências e clientelas - mas pelo ambiente que ali se criou nos últimos anos, mérito, sem dúvida, do Artur, o mais recente gerente deste mítico bar escalabitano.
Situado em pleno centro histórico, numa rua praticamente sem saída, espaço de porta fechada, discreto para quem passa e (re) conhecido para quem nele já entrou ou dele ouviu falar, o Xantarim tornou-se numa verdadeira instituição da noite da Scalabis, à qual nunca se pôde atribuir verdadeiramente a vertente mais mundana desse conceito: Noite.
Nos últimos tempos o Xantarim passou a ser o (único) sítio onde se ouvia boa música, nova ou velha, alternativa, indiscutivelmente, aos circuitos mais comercias da boémia ribatejana. Não me lembro de noutros tempos haver DJs de serviço neste espaço. Com ela, a música, cativou muitos que provavelmente procuravam antes outras paragens para se divertirem, trouxe mais vezes de volta à cidade os 'migrados' nas faculdades da capital e não só, e malta de fora, que normalmente recebia os escalabitanos e não o contrário.
De alternativa o Xantarim passou a ser um 'must go'. Toda a gente se caí lá, mas em regra o ambiente nunca descambou. Tal como também não mudou a simpatia e o antendimento das caras da casa. Mesmo para habitués como nós, cujo consumo muitas vezes não ultrapassava os 2 euros, mas se estendia por largas horas de conversa de surdos (a música sempre se impôs e as discussões eram muitas vezes sobre ela -'quem é que canta isto?', ou 'o original não é destes' e ainda 'vêm a Portugal este ano') nos bancos ou sofás iluminados àquela media luz misturada com fumo, de fazer arder os olhos ao mais resistente dos fumadores. Fazia tudo parte do charme de um espaço que pela sua história e características arquitectónicas era ocasionalmente referenciado por alguns ilustres professores da cidade.
Seguiram-se festas e concertos com a marca Xantarim. Festa dos anos 80, bandas amadoras da zona, mas de rock. Santarém nunca teve tradição, nem espaços, na divulgação das bandas de garagem locais, ao contrário de outras cidades da região. O Xantarim conseguiu furar um bocadinho isso. Também era ponto de encontro da malta no final dos espectáculos no Sá da Bandeira. Eram os dias em que frequentemente ficávamos de pé. Sabiamos que já não iriamos arranjar mesa, mas iamos à mesma.
Mas o Xantarim fechou. E agora?

Monday, January 4, 2010

A minha curta aventura pela crítica literária.

Fiz isto como teste para uma eventual colaboração. Mas fiquei-me pelo teste, que apesar de tudo me presenteou com um belo livro.


Para além da guerra

****

Prós: uma escrita intensa e cinematográfica, emocionante e simultaneamente reflexiva.

Contras: a opção por parágrafos com uma frase torna-se factor de distração na leitura, em alguns casos.

Os «dias sem fim» da guerra colonial são contados neste novo romance de Luis Rosa. Autor e narrador, é através dele e das suas memórias que percorremos e vivenciamos os episódios passados na Guiné-Bissau de há mais de três décadas atrás. Episódios, esses, que vão muito além das operações militares. O teatro de guerra oferece-se como palco para a observação de costumes, crenças, valores, religiosidade, fé, amor e, sobretudo, de reflexão constante sobre a condição humana, do tipo de homem que se revela em cada homem face à crueza da guerra e à luta pela sobrevivência. «A aprendizagem dos dias sem fim iria mostrar-me até onde chegaria a bruteza dos actos e a selvajaria das situações», antecipa-nos assim o autor os exemplos que surgirão no desenrolar da acção e que medirão isso mesmo. É nessa dinâmica que Luis Rosa vai desfiando as suas memórias. Os diferentes episódios são descritos de forma dramática e intensa, com um desenrolar quase cinematográfico, onde cada capítulo surge como uma cena diferente, retrato das variadas experiências: os combates, a guerra psicológica, as gentes e os costumes, os lugares, os cheiros ou o tempo. Mas as contradições, as questões e as reflexões acompanham a acção, enquadrando o significado dos acontecimentos para o autor. Mais do que o que viu importa aqui o como viu, o entendimento para lá das palavras, as sensações à flor da pele, o sentido de dever, a sobrevivência, deixar um filho.
Neste belíssimo romance, Luis Rosa dá-nos uma perspectiva simultaneamente social e profundamente pessoal da nossa história contemporânea, de uma guerra que «nunca foi uma guerra de ódio» nem de valores, dos que são intrinsecamente humanos, como mostra nas páginas do seu livro.
Memória dos Dias Sem Fim
Luis Rosa
Romance
Editorial Presença
15,80 €

Saturday, November 14, 2009

Meu Querido Gratuito


O sentimento de posse de um jornal diário gratuito é algo digno de um estudo sociológico ou psicossociológico.
Na rotina quotidiana e metropolitana de leitura desse tipo de publicações é frequente assistir à repetição de um determinado comportamento: a forma gananciosa com que se segura e tenta resguardar dos olhares alheios um objecto que, apesar do carácter gratuito, parece, naqueles instantes, revestir-se de ouro e diamante. Ainda que, logo a seguir, sejam deixados ao abandono e votados ao desprezo do descartável, nas gretas entre os bancos.
Já constatei, a título pessoal e em diversas ocasiões, que quando o fiel depositário provisório do exemplar do gratuito X se apercebe que estou a olhar de esguelha para as gordas vira imediamente a página, amarrotando as folhas, na pressa de dispersar a minha atenção, e contorcendo a expressão facial com um ar indignado, como se fossem dizer-me:«vai comprar o teu!».
Já cheguei ao cúmulo de assistir a casos em que a ofensa causada pela minha espreitadela parece ser tal que preferem fechá-lo ou fazer a leitura ao contrário, de trás para a frente, e de forma apressada, sem se fixarem numa página ou num artigo em concreto, para não dar tempo suficiente para a olhadela intrusa. A missão é clara: «não deixar o do lado ler nada. Este gratuito é meu».
As páginas de publicidade agradecem, acabando por ser uma boa barreira à 'bisbilhotice' alheia.
Certamente, um destes dias, encontrarei alguém que vire o jornal de pernas para o ar, só para ver até onde vai o contorcionismo do meu pescoço e dissuadir-me de vez da espreitadela.
Até lá faço votos que entre essas pessoas susbsistam algumas que conservem, ainda, o antigo costume nacional de, finda a leitura, deixar o jornal no banco com o propósito consciente e generoso de que quem vier a seguir possa ler também. Afinal agora até os há gratuitos.

Wednesday, October 28, 2009

Ainda com Barcelona na cabeça

Ainda sob o efeito da visita a Barcelona, a primeira de muitas, espero,e a ver o trailer do novo filme do Amodovar,'Abraços Desfeitos', recordo uma banda, a única de nuestros hermanos de que gostava e que volta e meia ainda oiço (principalmente os temas dos primeiros discos). Muito disso deve-se ao vocalista, um homem que me podia ler a lista telefónica em basco ou dizer os votos em catalão. Enrique Bunbury, casa comigo! Dios mio, que fuerza! :D :D :D

Monday, October 5, 2009

El Mar No Cesa

Es tal el vacío
Insostenible
La letal desidia que amenaza
Siento por momentos
la ausencia de tí
Carente de todo
Disidente de nada
Muero por impulsos
de agonizante grillete
Aprisionado por injustas manos
Miro mil puertas
Están abiertas a la oscuridad
Están abiertas a la oscuridad
Méceme con el impulso
de tu risa
y arranca mi máscara de tragedia
Y que ventee el huracán mis telarañas
Carente de todo
Disidente de nada
Muero por impulsos
de agonizante grillete
Aprisionado por injustas manos
Miro mil puertas
Están abiertas a la oscuridad
Miro mil puertas
Están abiertas a la oscuridad

Sunday, October 4, 2009

I Desideri

Se o desejo de aventura vem acompanhado pelo desejo de segurança há que seguir a ordem: não partir para o segundo sem realizar o primeiro - uma espécie de "confesso que vivi".




«I desideri sono la cosa più importante che abbiamo e non si può prenderli in giro più di tanto. Così, alle volte, vale la pena di non dormire pur di stare dietro a un proprio desiderio. Si fa la schifezza e poi la si paga.»



Castelli di Rabbia , Alessandro Baricco.