Wednesday, June 13, 2007

Podia ter sido melhor, mas...



Tendo em conta o rótulo de prémio de Melhor Filme com que vinha apresentado, Lady Chatterley pecou por ser demasiado longo (quase 3 horas), não obstante o esforço por ser fiel à obra literária de D.H. Lawrence,e pela má realização, patente nessa opção prolongada e não só - planos desfocados e cortes abruptos entre algumas cenas.

Mas, ainda assim, não deixa de ser um bom filme pela história. Sem a virtude de um argumento original consegue reproduzir bem a essência do desenvolvimento da relação amorosa entre Lady Chatterley e o couteiro, Parkin. A química entre os actores, a intensidade sexual das cenas físicas (sem ser hardcore) e a intensidade psicológica do relacionamento que vai aumentando com a intimidade entre o casal e a descoberta individual e a dois, contribuiram para isso.

A ver mas com uma boa dose de paciência, tempo para estar e repor o sono no dia seguinte e em estado saudável- três horas com o efeito do comprimido a fazer suar também não é muito agradável.
P.s. Acho que depois de ver este filme percebi o que uma colega minha queria dizer quando dizia: «quero um pedreiro que lê» ;)

Monday, June 11, 2007

Lady Chatterley: estreia dia 14

Vencedor do César para Melhor Filme de 2006

Adaptação do romance de D.H.Lawrence, Lady Chatterley é a história de Constance (Marina Hands), uma jovem mulher que, no seu castelo, vive dias monótonos, cismada no seu casamento e no sentido do dever. Primavera, no coração da floresta de Wragby. Constance conhece Parkin (Jean-Louis Coullo'ch), o guarda-caça. O filme é a história deles. A narrativa de um encontro, de uma domesticação difícil, de um lento despertar para a sensualidade nela, de um longo retorno à vida para ele. Ou como o amor é uno com a experiência da transformação.





de Pascale Ferran
com Marina Hands, Jean-Louis Coullo'ch, Hippolyte Girardot, Hélène Fillières, Bernard Verley, Sava Lolov, Jean-Baptiste Montagut, Michel Vincent e Christelle Hes
(Bélgica, França e Reino Unido 2006)

in Expresso (Cartaz)

Thursday, June 7, 2007

Deixa-me lembrar, essa história...


Ultimamente tenho tido tantas saudades de ouvir o Palma, sobretudo depois do anúncio do seu novo disco, "Vôo Nocturno"
( mais informações em

'Sete (Está-se tudo a passar)', 'Maçã de Junho', 'Jeremias, o Fora da Lei', 'Eternamente Tu', 'Cara de Anjo Mau', 'Terra dos Sonhos', 'Tempo dos Assassinos', 'Picado pelas Abelhas', 'Eles já estão fartos', 'Dá-me Lume' e tantas, tantas outras, que ouvi e vou ouvindo desde que descobri mais aprofundadamente o universo musical e poético do Jorge Palma, através de amigos, de amigos, nos tempos do liceu.

Hoje fico-me pela primeira: 'Sete(Está-se tudo a passar)':

São sete da tarde e está-se tudo a passar
Uns andam para a frente, outros querem virar
Outros ainda sonham com paragens distantes
Mas logo alguém ameaça com passos galopantes

São sete da tarde e passa tudo a correr
Alguém vai para casa tratar mal a mulher
Ele acha natural, ela esconde as suas rugas
Aquele ali vai p'rós copos tratar das suas fugas

Rei, infante, dama tão delirante
Que até os seus próprios sonhos desfaz
Valete condescendente, nem se digna a fazer frente
À magnitude do ás

O sete de paus nunca encontrou o seu canto
O sete d'ouros carrega cada vez mais encanto
O sete das espadas já ganhou outra cor
E o sete que era de copas... perdeu o seu amor

madrugada a dentro está-se tudo a passar
um homem discursa, sete estão a aturar
há quem evite as pedras que o destino arremessa
e o homem tem uma ideia... morrer durante a peça

rei, infante, dama tão delirante
que até os seus próprios sonhos desfaz
valete condescendente, não se digna a fazer frente
à magnitude do ás
à magnitude do ás.

Wednesday, June 6, 2007

Present Tense (O Eddie sabe das coisas)



Do you see the way that tree bends?
Does it inspire?
Leanin' out to catch the sun's ray
A lesson to reapply
Are you getting something out of this?
All encompassing trip

You can spend your time alone
Redigesting past regrets, Oh
Or you can, come to terms and realize
Your the only one, you can forgive yourself, Oh
Makes much more sense to live in the present tense

Have you ideas on how this life ends?
Checked your hands and studied the lines?
Have you the belief that the road ahead
Ascends off into the light?

Seems that needlessly it's gettin' harder to find
And approach... Ain't no way to live
Are we gettin' something out of this
All encompassing trip

You can spend your time alone
Redigesting past regrets, Oh
Or you can, come to terms and realize
Your the only one, you can not forgive yourself, Oh
Ah, makes much more sense to live in the present tense

Pearl Jam, in No Code

Sunday, June 3, 2007

As grande lições do Principezinho

«Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo.

Responderam-me: "Por que é que um chapéu faria medo?"

O meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia a digerir um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. O meu desenho número 2 era assim:


As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas...»


P.s. às vezes sentimos que temos de ou estamos a engolir um elefante inteiro. Por isso aconselharam-me a comê-lo por pedacinhos, saborear cada um deles, de cada vez, até que somados resultem no elefante (completo). É a única aproximação possível à da jibóia.

Thursday, May 31, 2007

Terra dos Sonhos

Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sózinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

JORGE PALMA

Sunday, May 27, 2007

É a Cultura, estúpido!

Esta é a frase que serve de mote a uma serie de debates, realizados com uma frequência regular, em Lisboa, sobre o estado da Cultura. Também poderia servir de legenda para uma fotografia de Mário Lino, utilizando o termo na sua acepção mais abrangente. Mas não é sobre isto que trata este post. É mesmo sobre a Cultura no seu amplo conceito de fruição.
À Cultura vem também associada a questão dos gostos, a criação e formação destes, a ponto de muitas vezes se instituir uma ditadura de padrões, como tão bem espelha o filme O Gosto dos Outros, de Agnès Jaoui. Há as tribos, há os que estão em cima do acontecimento, há os clássicos, os puristas, os vanguardistas, os da mensagem, os da forma... os que são tudo isso. Há sempre rótulos para medir a competência do gosto, aqui e ali encarado como conhecimento: «então, já conheces isto?», «não conheces isto, como é possível!?» ou o peremptório: «ah, o teu estilo é mais este; conheço uma coisa que é mesmo mesmo o teu género, de certeza que vais gostar [às vezes lá calha e acerta!]».
É quase como se estivessemos a apanhar um comboio na pressa de um movimento pendular, de chegar a qualquer lado, mesmo que tenhamos tempo para nos deleitarmos e demorarmos numa viagem mais longa. Sinto falta disso, da simplicidade da troca. Sem perguntas inquisitoriais, de medição estatística da intelectualidade e consequentemente da avaliação do interesse pessoal feita a partir daí - apenas com base numa relação pretensamente matemática.



Talvez por isso, em vez de um TGV cultural, tenha preferido seguir em carruagens do passado até aos confins do mundo, onde tudo é tão agreste e simples, e pegar no "Patagónia Express" do Luís Sepúlveda.(um dos que ainda não li dele - capa na imagem em baixo) como próxima paragem da minha vagarosa e ainda curta viagem por estes territórios da cultura.